O líder indígena Ailton Krenak realizou nesta quinta-feira (18) a abertura de sua exposição que reúne mais de 80 obras em conjunto com o fotógrafo japonês Hiromi Nagakura no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém.
Os registros ocorreram na Amazônia e fazem um convite ao público a ter uma escuta mais ativa e respeito aos povos da floresta.
Segundo Krenak, a exposição nasce do encontro entre duas figuras centrais na defesa dos povos originários e da Amazônia.
Juntos, Nagakura e Krenak percorreram territórios do Pará, Amazonas, Acre e Rondônia, convivendo com povos como Yanomami, Kayapó, Ashaninka, Kaxinawá e Yawanawá.
Essa trajetória compartilhada confere à mostra uma dimensão rara: as fotografias não são apenas registros, mas fragmentos de uma relação construída ao longo dos anos.
Além das imagens, a exposição reúne objetos de comunidades indígenas e espaços imersivos.
Um dos destaques é uma sala com rede indígena, onde o público pode deitar e assistir a depoimentos e cenas registradas durante as vivências na floresta, ampliando a experiência sensorial e afetiva com o território amazônico.
Um olhar de dentro da Amazônia
Assinada pelo Instituto Tomie Ohtake, referência nacional e internacional em arte contemporânea, a mostra se destaca por oferecer um olhar construído por dentro da Amazônia, atento ao tempo da floresta e às relações humanas.
Hiromi Nagakura é um fotógrafo japonês premiado internacionalmente, reconhecido por documentar, ao longo de décadas, comunidades tradicionais em diferentes continentes.
Seu trabalho se distingue pelo tempo dedicado à convivência com os povos retratados, resultando em imagens que fogem do exotismo e privilegiam a relação humana.
Ao lado dele está Ailton Krenak, uma das maiores lideranças indígenas do mundo. Escritor, pensador, ambientalista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Krenak é referência global na luta pelos direitos indígenas e na defesa do meio ambiente.
Sua atuação foi decisiva na articulação do movimento indígena no Brasil, especialmente a partir da década de 1980, quando se tornou símbolo da resistência dos povos originários durante a Assembleia Constituinte de 1988.
Matéria na íntegra: https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/exposicao-com-ailton-krenak-propoe-novo-olhar-sobre-a-amazonia/
05/01/2026