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ABL na mídia - Correio Braziliense - A palavra que pode ser escrita com s ou z e ainda divide opiniões

A grafia de certas palavras na língua portuguesa costuma gerar debates calorosos entre gramáticos, estudantes e apaixonados pela culinária. O caso do Cuscuz (ou Cuscus) é um dos exemplos mais emblemáticos de como a evolução do idioma e as influências regionais podem permitir variações que, embora corretas, ainda dividem opiniões nos dicionários e nas redes sociais em 2026.

O dilema ortográfico do prato mais amado do Brasil

A dúvida entre o uso do “S” ou do “Z” no final dessa palavra não é apenas uma questão de erro gramatical, mas de herança cultural e geográfica. No Brasil, a forma amplamente consolidada e preferida nos registros oficiais e nos cardápios de Norte a Sul é Cuscuz, com a letra “Z”. Essa grafia confere uma identidade visual forte ao prato que é base da alimentação de milhões de brasileiros.

A divisão de opiniões ocorre porque, em Portugal e em outros países de língua portuguesa, a forma Cuscus (com “S”) é frequentemente utilizada e dicionarizada. Essa dualidade gera confusão para quem viaja ou consome conteúdos internacionais, criando um “cabo de guerra” linguístico sobre qual seria a forma “mais correta” de representar esse alimento milenar.

A influência da etimologia árabe na escrita moderna

A origem da palavra remonta ao termo árabe kuskus, que descreve o processo de moer e preparar os grãos de sêmola. Quando o vocábulo foi absorvido pelo português, a transliteração seguiu caminhos distintos: o “S” original foi preservado por alguns, enquanto o “Z” foi adotado por outros para representar o som sibilante final característico da pronúncia brasileira.

Entender a raiz da palavra ajuda a compreender por que ambas as formas possuem lógica histórica. No entanto, para a norma culta brasileira, o uso do “Z” tornou-se o padrão de prestígio, sendo a forma ensinada nas escolas e exigida em contextos formais de escrita. Respeitar a etimologia é importante, mas seguir a convenção nacional é o que garante a clareza na comunicação local.

Confira a lista abaixo:

Cuscuz: Forma padrão e oficial no Brasil (com Z).

Cuscus: Forma comum em Portugal e em referências internacionais (com S).

Coscuz: Variação arcaica raramente vista em textos modernos

Cuscuz-paulista/nordestino: Termos compostos que sempre utilizam o “Z”.

Kouskous: Transliteração direta do árabe usada em textos de gastronomia técnica.

Por que a marca “Maizena” também confunde o uso do “S” e “Z”?

Outro caso clássico que divide opiniões no dia a dia é o da Maisena. Pela regra ortográfica, o substantivo comum deve ser escrito com “S”, mas a onipresença da marca comercial escrita com “Z” (Maizena) criou um vício visual na população brasileira. Muitas pessoas defendem o uso do “Z” por força do hábito comercial, enquanto a norma culta é categórica em exigir o “S”.

Essa confusão entre marca e substantivo mostra como o marketing pode influenciar a percepção gramatical de uma nação inteira. No caso do cuscuz, como não há uma marca única dominante com grafia alternativa, a disputa permanece no campo da tradição regional e da preferência dos dicionários. Diferenciar marca de regra gramatical é um exercício constante de vigilância linguística para quem busca escrever com precisão em 2026.

Onde conferir a grafia oficial para não errar no texto?

Para quem deseja sanar a dúvida de forma definitiva antes de publicar um texto ou criar uma marca, a consulta ao órgão máximo da língua é indispensável. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) registra as formas oficialmente aceitas no território nacional, servindo como o árbitro final para qualquer disputa de “S” ou “Z”.

Você pode verificar a forma oficial brasileira diretamente no site da Academia Brasileira de Letras, onde a busca por “Cuscuz” retornará o registro oficial com “Z”. Seguir a orientação da ABL garante que seu texto esteja protegido contra críticas e alinhado com a norma padrão vigente no país. Consultar fontes de autoridade é a melhor maneira de encerrar qualquer debate sobre ortografia com segurança.

Matéria na íntegra: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/a-palavra-que-pode-ser-escrita-com-s-ou-z-e-ainda-divide-opinioes/

02/03/2026