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ABL na mídia - Estado de Minas - Atenas Brasileira: a cidade que os franceses começaram e os poetas imortalizaram

O som das radiolas ecoa entre casarões revestidos de azulejos portugueses enquanto o morador de São Luís atravessa o Centro Histórico rumo ao trabalho. A capital do Maranhão é a única do Brasil fundada por franceses, carrega três apelidos que revelam camadas distintas de identidade e reúne dois títulos da UNESCO em uma ilha de pouco mais de um milhão de habitantes.

Da França Equinocial à Atenas do século XIX

Em 8 de setembro de 1612, a expedição de Daniel de La Touche ergueu o Forte de Saint-Louis na ilha de Upaon-Açu, em homenagem ao rei Luís XIII. Três anos depois, os portugueses retomaram o território e moldaram o traçado urbano que persiste até hoje. No século XIX, a riqueza do algodão financiou uma geração de escritores que colocou a cidade no centro da literatura nacional.

Nomes como Gonçalves Dias, Aluísio Azevedo e Graça Aranha renderam a São Luís o apelido de Atenas Brasileira. O Grupo Maranhense dominou a cena literária do país em uma época em que a capital maranhense era a quarta cidade mais próspera do Brasil, atrás apenas de Salvador, Recife e Rio de Janeiro.

Quem são os escritores por trás do apelido?

Gonçalves Dias é o patrono da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras e autor de poemas que definiram o romantismo brasileiro. Aluísio Azevedo publicou O Mulato em 1881, romance que causou escândalo ao criticar o preconceito racial na própria cidade. Mais recentemente, o ludovicense Ferreira Gullar se tornou imortal da Academia e um dos nomes mais importantes da poesia brasileira do século XX.

Essa tradição se mantém viva nas duas principais universidades da ilha. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) sustentam a formação acadêmica e movimentam a vida cultural da capital.

O que o morador encontra no dia a dia da ilha?

São Luís oferece uma rotina onde patrimônio histórico e praia urbana se alternam em poucos quilômetros. O centro concentra museus, teatros e a vida cultural, enquanto a orla da Avenida Litorânea atende quem busca esporte ao ar livre e gastronomia à beira-mar.

Centro Histórico: cerca de 4 mil imóveis tombados em 220 hectares, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1997.

Teatro Arthur Azevedo: um dos mais antigos do país, símbolo da tradição literária da Atenas Brasileira.

Museu do Reggae: inaugurado em 2018, é o único museu do gênero fora da Jamaica.

Praia do Calhau: orla estruturada com quiosques, ciclovia e espaço para kitesurf, frequentada por moradores no fim de tarde.

Palácio dos Leões: sede do governo estadual desde a fundação francesa, aberto à visitação gratuita com acervo dos séculos XVIII e XIX.

Quem planeja viajar para o Maranhão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Status Viajante, que conta com mais de 62 mil inscritos, onde a Apresentadora mostra um roteiro de 2 dias por São Luís, incluindo o centro histórico e praias:

A Jamaica Brasileira que dança agarradinho

O reggae chegou ao Maranhão na década de 1970, possivelmente pelas ondas curtas de rádios caribenhas captadas na ilha. O ritmo encontrou terreno fértil em uma população com raízes africanas profundas e se transformou em marca registrada da cidade. Em São Luís, o reggae se dança a dois, bem junto, no estilo que os ludovicenses chamam de agarradinho.

Lei 14.668/2023 reconheceu oficialmente a capital maranhense como Capital Nacional do Reggae. As radiolas, paredões de caixas de som inspirados nos sound systems jamaicanos, animam festas nos bairros da ilha e fazem parte da paisagem sonora do cotidiano.

Quais pratos representam a mesa ludovicense?

A gastronomia maranhense carrega influências indígenas, africanas e portuguesas em combinações que surpreendem até visitantes experientes. Frutos do mar frescos e ingredientes nativos dominam as receitas mais tradicionais.

Arroz de cuxá: prato-símbolo feito com vinagreira, gergelim torrado e camarão seco.

Peixada maranhense: caldo encorpado com peixe fresco, leite de coco e temperos regionais.

Torta de camarão: massa fina recheada com camarão e temperos locais, presença certa nas feiras.

Juçara: o açaí maranhense, mais aveludado, servido gelado com farinha de tapioca e peixe frito.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

A capital maranhense tem clima equatorial com calor o ano inteiro e duas estações bem definidas: a chuvosa e a seca. O período junino combina o fim das chuvas com o Bumba Meu Boi, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2019.

Como chegar à capital maranhense?

Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado (SLZ) fica a cerca de 12 km do Centro Histórico e recebe voos diretos de capitais como São Paulo, Brasília, Fortaleza e Belém. Por terra, a BR-135 é o principal acesso rodoviário à ilha, cruzando o Estreito dos Mosquitos. Para quem vem de Teresina, são aproximadamente 446 km pela BR-316.

A ilha onde literatura e reggae dividem a mesma calçada

São Luís é uma capital rara no Brasil: carrega a herança de três colonizadores, preserva um dos maiores acervos arquitetônicos coloniais da América Latina e transformou um ritmo jamaicano em identidade própria. A Atenas Brasileira não parou no século XIX. Segue viva nas universidades, nos saraus do centro e nos versos que os ludovicenses ainda declamam de cor.

Você precisa pisar nos paralelepípedos de São Luís e sentir como uma cidade consegue ser Atenas, Jamaica e Ilha do Amor ao mesmo tempo.

Matéria na íntegra: https://www.em.com.br/emfoco/2026/02/20/atenas-brasileira-a-cidade-que-os-franceses-comecaram-e-os-poetas-imortalizaram/

23/02/2026