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Artigos

  • Kuaa Mbo"E

    Jornal do Commercio (RJ), em 17/11/2006

    Não se assustem com a expressão acima. Ela guarda um profundo sentido, na proposta de uma educação indígena, na região Sul e Sudeste do Brasil. Significa, em guarani, Conhecer-Ensinar. Remonta, para os estudiosos, à época dos nossos primeiros tempos, com o trabalho dos jesuítas, acelerado a partir da vinda do padre José de Anchieta, em 1553, na equipe do governador-geral Duarte da Costa. Todos sabemos do quase genocídio dos nossos indígenas, que saíram do número de 3,5 milhões para os atuais 400 mil. Assinale-se, hoje em dia, um dado positivo: cresce o índice demográfico entre eles, tornando distante a possibilidade da sua extinção. Há tribos em praticamente todo o território nacional, embora em muitas registre-se um número inexpressivo de habitantes. Uma forte luz se acendeu, por iniciativa do Consed (Conselho dos Secretários de Educação), do MEC e da Fundação Nacional do Índio, com a criação do Programa de Formação para Educação Escolar Guarani nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil. Desde 2001, lideranças, pajés e professores guarani reúnem-se para discutir essa proposta. Concordamos com as lideranças que afirmam "ser a cultura muito importante. Vamos aprender a ensinar. Também é importante para que não se esqueça a sabedoria dos nossos anciãos e a memória guarani." Por isso, a Secretaria de Estado de Educação aliou-se fortemente ao projeto. Temos o maior carinho pela Escola Estadual Indígena Guarani Karai Kuery Renda, composta das seguintes unidades: "kyringue yvotyty", em Angra dos Reis (Bracuí), "tava-mirim", em Parati-mirim, e "karai oka", em Araponga, também em Paraty. Somando, são 160 alunos, com professores guarani (bilíngües, pois sabem adequadamente o português), que apostam numa educação diferenciada, que atenda aos seus interesses e tradições. A carga mínima anual é de 800 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias letivos de efetivo trabalho escolar. No currículo, são respeitadas as diretrizes nacionais, de acordo com a legislação vigente no País, e as propostas de cada etnia, em respeito às especificidades étnico-culturais de cada povo ou comunidade, respeitados o saber e a cultura indígenas. Cada grupo tem práticas pedagógicas específicas, todas de caráter presencial, com um calendário próprio, como pôde verificar, em visita feita aos locais, o professor Paulo Pimenta, que registrou, com emoção, a eficácia do aprendizado das crianças das respectivas aldeias. Aulas de forte conteúdo de brasilidade, assim se contemplando a construção de conhecimentos, valores, habilidades e competências. Todas pertencem à rede estadual de ensino e funcionam em regime de tempo integral, nas três aldeias referidas. As salas são arrumadas em ambiente diferenciado. Ao lado, existem as casas de reza e um amplo espaço para caçar, montar armadilhas, pescar, plantar etc. É uma forma de não desvirtuar os hábitos seculares, com suas práticas sócio-culturais e religiosas. Nenhuma imposição, pois esta seria contrária ao espírito de preservação dos principais valores ali estabelecidos. O prof. Pimenta registrou isso tudo, voltando ao Rio com o som do chocalho na cabeça, com os índios dançando o seu tradicional Xondaro. Uma experiência inesquecível de respeito aos costumes verdadeiros dos nossos primeiros habitantes.

  • Chá da meia-noite

    Folha de S. Paulo (SP), em 14/11/2006

    RIO DE JANEIRO - Embora legalizada em outros países, a eutanásia continua proibida no Brasil. No entanto demos um passo importante em direção à dignidade do único episódio vital que é a morte. Com isso estou lembrando a frase de santo Agostinho: "a vida não é mortal, a morte é que é vital".

  • A poesia permanece

    Tribuna da Imprensa (RJ), em 14/11/2006

    Um analista literário romântico diria que o tempo se esvai, mas a poesia permanece. Foi frase parecida que usei há muitos anos em artigo sobre um jovem poeta, Vitto Santos, que publicava então um livro de poesia chamado "O pássaro de fogo", em cujos versos destaquei uma pureza vocabular que chamava a atenção para o nome do autor. Opinei então que "O pássaro de fogo" podia ser considerado como estréia importante.

  • De volta para casa

    Folha de S.Paulo (SP), em 13/11/2006

    RIO DE JANEIRO - Lá no fim, depois do imenso corredor, a placa amarela indicava o portão nº 5 -"Gate Five"-, segundo a recepcionista da companhia aérea que o atendeu no balcão. Mas não precisava indicar nenhuma porta ou portão para saber onde ficava o terminal que embarcaria o próximo vôo para o Rio.

  • O povo de Lula no poder

    Jornal do Commercio (RJ), em 13/11/2006

    A vitória do presidente não consagra apenas esta situação inédita da força do petista sem o PT, sem herdeiros, e cobrado a uma responsabilidade histórica sem volta. Por força, fica agora a trégua para a total avaliação, pelo presidente, do novo e amplo horizonte à sua frente, para dizer finalmente a que veio depois da chegada ao Planalto em 2002. Aí está consagrado por esse "povo de Lula", que impôs de vez uma nova consciência de mudança a partir do país da marginalidade e daqueles 33% de brasileiros ainda fora de uma economia de mercado e das condições de melhoria continuada, que passa a assegurar.

  • Ministério de coisa nenhuma

    Folha de S. Paulo (SP), em 12/11/2006

    RIO DE JANEIRO - Nada assanha mais a mídia especializada do que uma reforma ministerial. É natural que fique assanhadíssima quando se forma um novo ministério a cada governo, ministério que, depois de formado, é sucessivamente reformado ao sabor das contingências e das exigências de cada situação.

  • Tradição na formação

    A Gazeta (ES), em 10/11/2006

    O Brasil é um país imenso, com segredos e mistérios nem sempre ao alcance do comum dos mortais. Um grupo de educadores do Sesc, com os quais estivemos reunidos, voltou de visita ao Rio Grande do Sul trazendo uma forte impressão favorável do que lhes foi dado assistir no Instituto de Educação Ivoti, situado em São Leopoldo, com existência superior a 90 anos.

  • Poliglotas em português

    Diário de Pernambuco (PE), em 10/11/2006

    A reunião conjunta das Academias do Brasil e das Ciências de Lisboa resultou de uma idéia a serviço da reflexão em comum. Haverá de ser distinto momento de nossas relações no plano cultural, mas na condição de comunidade ativa e não apenas de contemplação.

  • Tradição na formação

    A Gazeta (ES), em 10/11/2006

    O Brasil é um país imenso, com segredos e mistérios nem sempre ao alcance do comum dos mortais. Um grupo de educadores do Sesc, com os quais estivemos reunidos, voltou de visita ao Rio Grande do Sul trazendo uma forte impressão favorável do que lhes foi dado assistir no Instituto de Educação Ivoti, situado em São Leopoldo, com existência superior a 90 anos.

  • Papai Noel não vai a Caracas

    Jornal do Brasil (RJ), em 10/11/2006

    Chávez proibiu Papai Noel de entrar na Venezuela. É o que dizem os jornais. O argumento é que se trata de um agente americano disfarçado num velhinho de barbas brancas e cara de bondoso para matar os costumes populares venezuelanos, tão bem descritos por Rómulo Gallegos em sua espetacular obra, na qual recordo as coplas de Cantaclaro e a saga de Doña Bárbara, la bonguera.

  • Preto & Branco

    Correio Braziliense (DF), em 10/11/2006

    “Poucos negarão que os negros no Brasil foram vítimas de uma cruel opressão: nosso país foi o último a terminar com a escravatura. Gerou-se daí uma desigualdade histórica, que não será anulada pela simples passagem do tempo”

  • Chega de diagnósticos

    Folha de São Paulo (São Paulo), em 31/10/2006

    Pior do que o período pré-eleitoral, em que se oferecem prognósticos e diagnósticos de tudo, só as longas fases de transição

  • A palavra da poesia

    Tribuna da Imprensa (Rio de Janeiro), em 31/10/2006

    Terá a palavra uma existência própria, independente da idéia? Um poeta, amoroso de seu instrumento, diria que sim. E teria a seu favor uma opinião muito antiga, de Dionísio de Helicarnaso, que afirmou ser a linguagem "alguma coisa de exterior à paixão ou à idéia que nela se manifestem, e como coisa que pode ser manejada à parte e ter beleza própria, independente do pensamento".

  • Bola demais

    Folha de S. Paulo (SP), em 30/10/2006

    Tempo houve em que um cronista sem assunto era mais ou menos obrigatório, foi talvez a era de ouro do gênero. O cara abria a janela, olhava o mundo e a vida, sentava à máquina e escrevia sobre o nada, a falta de assunto. Eram mestres nessa nobilíssima arte. Hoje, com a inflação de assuntos, as crônicas já não se fazem como antigamente.